Wednesday, December 09, 2009

Dançantes da inconstância







A ânsia é uma dança
Na andança
Da inconstância
Da vida
E em momento de abundância
É de se convidar para dança
Até os que aparentam
Não nos ser de intimidade
Mas que para originalidade
da essência desta protuberância
De dúvidas e cores
Há plena
Significância
De sermos todos dançantes
De amores

Agora lhes permito dizer:
- Vim e amei-vos.



Ádila Ágatha de Carvalho ( sereia na dança ¹ - dezembro 2009)

Saturday, November 21, 2009

Imundo - Inundo de mundo.







Quisera ser principiante,
Desses que nunca se principia a coisa alguma.
Passo que não é o primeiro,
Degrau que não se sabe.
Que se sobe
Sem intenção alguma do altificar.

Parece que me inunda de mundo
Cada passo em falso,
Eu afundo
Faço de mim errante
E vicejante de catástrofes.

Meu psicoilógico
Esbraveja sentimentos estranhos,
Mas parece que entranho,
Mesmo tentando estar inerente.
Me moribundo
Demente que desmemoria o peito.

Parece de se fazer derradeiro,
Seguindo e cantando rumo ao alheio.
Matando a vontade de nadar,
À vontade na ação da mergulhada ao nada.
Uma arrogante crônica de contratempos
Sincronizados
Padronizados de despropósitos.

Quisera ser principiante,
Desses que nunca se principia a coisa alguma.
Que não reclama da falta
Que não experimenta o ter.

Quisera apenas desconhecer
O terno sabor do deleite,
Não esperançar-me do que é alheio
Ser um boiadeiro,
E tocar a boiada pro além.

Quem me dera apenas ser alguém,
Principiante que nunca se principia,
Que não inicia,
Apenas se envaidece de paz

Contida

Atinando plenitude.
Não me inundar de mundo,
Evitar tornar-me mais um imundo.
Desnudo de decência

Quisera ser alguém que não ama,
E que também não se amedronta
Diante a avidez da vida.


Ádila Ágatha de Carvalho ( novembro de 2009)

Saturday, October 31, 2009

Entre idas e V'índias.




Os poetas estão reunidos,
Taciturnos em suas aldeotas,
Escondem-se no âmago da terra
Como uma força genuína,
Que atuando secretamente
Ainda nos revigora.


Mesmo nas entrelinhas do quão morrem na história.

Dentro em breve,
Sinto que essa nebulosa de caos explodirá
Vamos implodir milhões de estrelas,
E seremos para o dia,
Aquilo que elucidará
Num raiar de luz baldia.


Celebraremos ingênuos,
Uma batalha sem perdedores.
Ganharemos todos, uma nova chance.
De sermos apenas frutos de amores.

Os guerreiros estão reunidos,
Na espreita do momento coeso,
Para tornar esse mundo espelho,
Refletindo uma luz celestial,
Como uma infinda manancial
Que contentará nossa sede de paz.

Os guerreiros estão reunidos
Munidos apenas de vontade,
De transformar-nos numa centelha,
Que finalmente nos reverencie ao pai!

 
Ádila Ágatha de Carvalho (outubro de 2009)
 

Herança sem paradeiro


 
Rogo por um resplandecer da inocência
O despertar de um contentamento simples.
Que seja esse tempo menos exigente conosco,
Que queremos apenas ser felizes.

Rogo por um mergulho as matrizes,
Um relembrar que frutifique a essência
Que desperte o sentimento que adormecera,
Em meio essa maledicência.

Rogo por um bacelo de afeto,
Que refloreste tudo de sentimento videiro.
E que goteje uma felicidade pura.
Dessa herança à deriva
sem paradeiro.


 (outubro de 2009)

Somos todos estranho/ e eu também sou você



 

Temo tempos difíceis,
Decidiram banir a emoção.
Ninguém mergulha sem saber nadar.
Ninguém ama sem saber amar.
E ninguém sabe como aprender a lição.

Parecem todos magoados,
Estão todos comovidos ou receados.
Veio e foi moendo, até com certo gosto
Começaram banindo um povo,
Depois outro...
Depois outro...

Agora classificam as mentiras por cores,
Brancas, pretas...
Maliciou-se.

Engraçado que,
Não se sabia viver até cair nessa andança.
E ninguém acompanhou a dança...
As cores não são atenuantes de uma batalha ou de um culto.
É a maquilagem que nos faz cada vez mais ocultos.


Caminhamos em controvérsias
Rumo a tempos de sentimentos rasios,
Parece um imensurável redemoinho,
Do qual não se tem escapatória.

É uma ferida que não para de minar,
E não adianta pestanejar,
Relutantes são minoria,
A maioria sequer sabe que está contaminado.
A maioria sequer sabe que está pra se contaminar.

Parecem todos envaidecidos
Tornou-se bonito não ter alma
O corpo não é abrigo, nem casa.
É aquilo que nos traveste de fantasmas.

Como um pano de maldade a nos cobrir,
E tem até dois furinhos na parte que cabe aos olhos,
Para que não deixemos de enxergar.
Mas que em eras digitais são olhos em 3D...
Que transformou a imagem do paraíso.
Num vislumbre de cores
Que só são percebidas em HD.

Não vão poupar a mim,
Remotamente também você,
E pior é ser seu próprio algoz,
Um torturador manso.
Um mero colaborador anônimo.
Assassino sem nome.
De um assassinato sem voz.

É uma aflição que só pode ser contida.
Pois são tempos de brevidade...
Esconder-se é só um rompante.
De almas que nessa vida não atingem longevidade.

São tempos também de egos,
Somos todos estranhos.
Não se tem mais elos
E eu também sou você.

Eu sou somente alguém assustado.
Que deseja apenas se pintar,
Alguém que mergulha sem saber nadar
E que aprende vivendo,
a viver.

Eu sou somente alguém matuto.
Que consegue antever a morte da alma no mundo,
Que deseja apenas se pintar,
Para Deus louvar.
Em um culto, não muito oculto,
De nos preservar.


Ágatha de Carvalho (outubro de 2009)

Monday, October 26, 2009

A cor dar ao dia.





Quero acordar a cor,
Desse acorde que me soa suave,
Do temperamento que não se receia,
Mergulhando em liberdade.

Quero apenas que adormeça
Esse palpitar que hora é mais explosão,
Desse vôo que se faz introspectivo
Mas que processa um coração.

É difícil viver em continência,
Tentando se invisibilizar
Mas depois de muitos fracassos,
Desistir parece verbo de conjugar.

Tu desistes,
Eles desistem...
A vida parece moer aqueles que insistem.
Parece uma guerra em que todos estão sendo convocados.
E mal sabem em prol do que batalham.

Quero acordar a cor,
De o dia não ruir com a noite,
De a escuridão ser apenas um açoite
Que fura o céu em pequenas estrelas.

Se eu não desisto...
Se tu não desistes...
Tornamo-nos versos mais que perfeitos.
Onde ninguém mais adormece o peito.
Com a peleja de sentimentos tristes

Pareço uma calmaria que abriga uma explosão.
Rogando para que não me enxerguem como mais um soldado
Desse mundo em transformação de tornar-se vão,
E vasto
De tom tão sem emoção.

Eu quero a cor dar neste dia,
Mesmo uma cor de céu nublado,
Uma doçura mais que extensiva
Feito giz que se expressiva num quadro.


Ádila Ágatha de Carvalho (outubro de 2009)







Conheci um dia colorido,
E guardei com muito trato,
Em nuances que parecia até pintura
E que na retina se fez grafia de imagem.
Era foto e retrato


Mas parece que em dia de chuva,
Aquele tanto de cor nem se retrata,
A chuva pula pela janela,
E maltrata a pintura de cinza.

A lembrança não se protege
Se reboliça no atemporal
Parece que ora desiste
E a recordação não resiste
Diante à resignação da tempestade

Milhões de sorrisos no arquivo,
Sendo corrompido pelo arquétipo de um choro
Antes fosse temporário,
E menos temperado de mágoa.


Ádila Ágatha de Carvalho (outubro de 2009)



Sunday, October 25, 2009

Em lua arada






Essa formosa e tão distinta
Que distante consegue estar tão perto,
Parece nos fazer ressoantes
Mesmo em instantes minguantes.
De sentimentos singelos.

Quisera eu acolher-la, ó lua cheia
Tal qual bola de cristal.
Não para antever o porvir
Mas fazer-la guia de me instruir
Abrando desse introspectivo manancial
de afeto...

Que não me faça soar estrépito
Todos os segredos desse hemisfério-meu.
Enluarando de solstício
Tornando algo auspício,
Esse meu mergulho ao mistério.

Lua nova que de nada cria expectativa
Sendo ao longe espectadora de romances
Quero acolher-la no ventre
Pra tentar compreender nesse instante
O desenrolar desse doce rompante.

Doce e razante,
Que ora vejo reluzente
Contido porém palpitante
Oh! Luar tão bem crescente...


Ádila Ágatha de Carvalho (outubro de 2009)

Tuesday, October 20, 2009

Sem ti, mental







Romances embalados
Em baladas que não mais se escuta
Um vivente também se cansa,
De dançar conforme a música.

É comum que se espere,
Corriqueira companhia,
Infortúnio é que se pense,
Sobrepor-se ao que jazia

Sem recalques de falso encanto,
Sequer camufla um ou outro interesse.
Pro desatino de tornar-se par.
Espera o acaso se dissipar
Transformando em nostalgia
A eterna falta do que nem se tinha.

Ádila Ágatha de Carvalho (outubro de 2009)

... um eterno vicejo.







Uma liberdade sem malícia
Prática pra puro abandono.
Uma fragilidade bem aventurada,
De apenas sonhos.

Uma liberdade sem malícia
Que suando aflore sentidos,
Mais suave que pólen,
Sem abstrair os espinhos.

Uma liberdade sem malícia
Um descanso de devaneio
Um toldo que cobre a pele
Sem censura, sem pudor, sem medo.

Uma liberdade sem malícia
Num estado de eterno vicejo.


Ádila Ágatha de Carvalho (outubro de 2009)

A fonte de afronto



Parece que a fonte,
De fronte a retina minha,
Resigna-me o tanto que mina
Me denomina pessoa que tem sede

Parece também afronto,
Tem água de saciar,
Em mim e nas gerais.
E não sede.
Mas eu não posso beber.

É uma nascente abundante,
E fica logo ali de fronte a minha sede.
E não sede.

Vontade imensurável de m’embebedar
E depois conter
Esconder a secura que há adentro,
Um sertão vasto,
Que nem tem cacto,
E que tem espinho.

Parece uma fonte de afronto,
Minha sede se resigna,
E míngua com a lua,
Cheia de sede.
Que não sede.
Mas eu não posso beber.

Ádila Ágatha de Carvalho (outubro de 2009)

Thursday, October 15, 2009

Que existe par, para os ímparfeitos






Há quem não tenha tampa.
Quem flertes não planta.
Que amores nunca colhe.
Que se acolhe,
Dentro da própria ímpar.feição.

Há quem sempre seja pescado por uma paixão.
Somente pesca dor de ilusão.
Pescador numa maré cheia,
Mas amar é vazia onda,
Que ronda estrago intragável.

Há quem seja apenas ímpar feito,
Que nunca há de partir-se par
Que em pista de mão única,
Acabe na viela e na contra mão.
Há quem não perceba o refrão.

Dentro da própria ímpar feição.

Ádila Ágatha de Carvalho (setembro de 2009)





Ímparfeitos

Eu quero um amor de heresia,
Livre,
Aprisionado pelo sentimento.
Mas sem o firmamento
Dos supérfluos acordos terrenos

Um amor puro,
Aonde não se peça a mão.
E nem se ambicione ter o corpo,
Ou apenas o coração

Um algo que seja pleno,
Mesmo aparentemente tolo.
Que tenha mais euforia
E não só as intenções de outro.

Que sobreviva no descaso,
Por andar descalço de cobranças,
Porque apenas impulsiona,
Ser amor e nada mais.


Ádila Ágatha de Carvalho. (outubro 2009)






O Outro

O Outro,
Pro corpo quente que sente frio,
Pro coração cheio, de tanto vazio...
Pro possível afago,
Pro provável agrado,

O outro
Até pro inesperado...

O poço,
Até pra falta de fundo.
Até pro solitário balde suicida n’uma corda

O poço,
Até pra falta d’água.
Para adentrar, adentrar...

O fio positivo,
Do suposto oposto que atrai,
O afio, negativo...

O par,
Pro número que não casa com outro,
Mas que pode vir a dividir...
O par,
Pros ímpares...

Ainda que não par.ecida simetria,
Impar feitos de diferenças,
Perfeitos para incumbência
De se fazer companhia
De dois mundinhos a.par.tes.
Pros que procuram florestas
Dentro de árvores...


Ádila Ágatha de Carvalho.   (Maio de 2006)



Wednesday, October 14, 2009

Sem a cor ação





Sem cor ação, nada acontece.
É um conto que haja vista o real, nada vale.
É uma moldura que nada molda.
Uma mola que nunca amolece.
É um broto que nunca floresce.

O coração não contido,
Ainda assim, é o semblante de um espaço a ser preenchido.
É um funcionário infuncional.
Esperando um tal’qual.

Um coração não ter motivo,
É apenas não dar-lhe o estimulo,
Da pulsação de amar.
É não impulsionar,
Um querer para sua batida.

A lamentável vida,
Da ala dos ímpar. feitos por natureza.
Que nunca disse.par
Mais soube partir-se para adentrar,
o vácuo da própria beleza.
de nunca estar,
Amando...

Um coração que não tem ninguém,
É a eterna esperança do encaixe,
É uma espera e ânsia de vontade.
De ser amada.
Armada de bem-me-quer.


Ádila Ágatha de Carvalho (setembro de 2009)



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Vaziolidade

Pode ser, quem sabe, um vazio inexplicável,
Um oco que se abala a qualquer brisa,
Um buraco no corpo,
A falta de um sentido lógico,
Que explique toda a falta de lógica.
Um vácuo que sentimento algum se propaga...
Pode ser que nem seja nada!

Pode ser,
vão dizer que sim,
Que é uma insensibilidade da minha parte.
Que é um pecado,
Desses que jamais são perdoados...
Não ei de tomar tal afirmação como legado...

Pode ser que não...
Apenas digo que é falta de cor ação.
O que nada impede uma avoação incontrolável...
Distraio-me com pensamentos...
Sonho acordada.
Pessoas assim...
De insensíveis não temos nada...

Esse buraco aí no peito,
Pode até não ser facilmente preenchido,
Mas basta vim um ímpar.cílio
Piscando uma mentira sincera,
Me pego a contra mão.
Suspirando, com o fato de ter ocupado o coração.
Mas encontrou uma viela.

Com tudo,
Acaba sempre sem o preenchimento.
Justificando os "pecados" alheios e tornando-os sublimes...
Mas é continuinte,
Da missão de ninguém ter.


Ádila Ágatha de Carvalho (novembro de 2005)
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Me acompanha-mim.


- Estratagemas, idiossincrasias...

Desenhar olhos e ficar encarando.
Desenhar uma boca nas mãos e sair conversando.
A mão tecendo papos,
Amortecendo os cacos
De amor tecer-se fio visível.
De ter e ser sozível.

A boca na mão tagarela.
Mas é ela, se amando sozinha outra vez.
A boca na mão se calou.
Mas foi só um "adeus" que acenou...

Desenhei uma mão na minha mão.
Fechei o punho.
Agora com.punho que ando de mãos dadas.
Dada aos finalmente.

Final mente,
Sou eu quem me acompanha.


 Ádila Ágatha de Carvalho (novembro 2005)

...insentido, no sentido de não se fazer contido.

Meu nu é breu na proa do corpo.






Há várias maneiras de se ficar nu;
Quando se abre a boca da alma,
Quando deixa os olhos encarar outro...
Ser sincero é estar nu.
Encarar é permitir mergulho.

A pele e seu vértice,
Os poros e pólos silvestres,
Sem roupa eu sou apenas breu.
Não estar de roupa é ser apenas espécie.
A minha roupa sou eu.

Às vezes, dá-me até vergonha...
É como ficar nua abrindo os olhos.
E meu nu é breu.
Olhos negros.
Olhos negreiros...

O corpo mais me parece abrigo
Não me repele como que gaiola.
Das tatuagens na proa da pele.
Que ecôo estantes leves
Uma breve capa que optei desenhos

Sem roupa eu sou apenas breu.
Sentimentos que desconheço,
Muitos, tantos, vários, eticéteros...
Sentimentos novos, velhos...
E procriam sentimentos amais.
O nu da falta de roupa aguça só os animais.

Meus impulsos de percurso
Entre o meu pensar e meu pulso,
Faz de mim uma pessoa desnuda.
Porque quem me lê, me vê crua.

Meu nu é breu na proa do corpo.
Só se vê abaixo a pele
Exceto na visão dos tolos
Meu nu é de todos e de tudo,
Quando me lêem descrita naquilo que com.punho.


Ádila Ágatha de Carvalho (Setembro de 2009 )



Que é de encaixe, não de completar...



A peça - I

Se permitir,
É como tentar encaixar uma peça
Que sequer pertence ao quebra-cabeça.
No fundo se sente a brecha que falta no molde.
O pedaço errado até encaixa...
Mas das erratas de alívio
A mais eminente se faz nítido.
Que algo não fora deveras preenchido.

Inegável o quão auspício.
Se permitir é dançar no silêncio
É gostoso desmemoriar o coração das antigas dores.
Jogar-se como se a primeira vez fosse.
Pr’um engate de um romance de partes.
Que nunca preenche um todo.

Mas eis que cedo ou tarde,
Quem o monta não tarda a perceber.
A falta é quem talha o romance,
Então cai num rompante
De se sentir incompleto.

Mas nenhum problema há com a peça,
Nem muito menos nada que a empeça
De encaixar-se no seu real molde.
Mas aquela que se jogou às cegas,
Parece parte que anda despedaçado.
Sentindo-se desprezado
Achando não terem inventado,
Aquilo que lhe vá completar.


Ádila Ágatha de Carvalho (Março de 2006 )

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A peça - II

Foi num dia de pensar em nada,
Bem assim,
Que quis desfazer todo o quebra-cabeça,
Pra vê se invertendo a ordem
Alguma peça no mundo se encaixava.
E ainda assim nada.
Até agora hoje, dias que vos falo.
Nenhuma peça pro meu regalo.

Sabe aquelas dias em que você tem vontade de...
Jogar o quebra-cabeça fora.
Parar de permitir peças quaisquer de se encaixar.
De se acharem em você mas não lhe completar...
Foi assim que deixei a idéia dissipar.
Desse par que nunca encontro.
Continuei ímpar feita.
Tentando degustar a leveza
De sozinhar...


Ádila Ágatha de Carvalho (Março de 2006 )

... Entre o pensar e o impulso.





Muitas vezes a boca não condiz.
Embora pense infinitas vezes.
Deixa fluir só em pensamento.
Porque ao dizer, ou escrever, ou cantar...
Acaba desentendendo.
Mesmo sentido tendo
No tal do pensamento.

Mas se perde no percurso;
Entre o que pensa,
O que impulsiona dizer.
E aquilo que em prosa diz.
Então simplesmente não condiz,
Com aquilo que realmente sente.

E pra não se perder naquele impulso,
No percurso entre o pensar e o pulso,
Acaba algumas vezes por deixar calar.
Mesmo adentro parecendo claro.
Mas deixa estar...
A dispor de algo que o venha a externar;

Aquilo que entranho pensa
Que de modo estranho diz,
Que tão sem tamanho sente.
E que hora não condiz...

Ádila Ágatha de Carvalho (setembro de 2007)

me perdi nesse percurso.
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Pé correndo



O tempo passando rápido
As fases transcendendo
Os sentimentos adentrando
Percorrendo.

Alma ao mundo
Corpo ao casulo
Mente, a dor me sendo.
[Adormecendo]
Entre o nada, o meio e o tudo.
Percorrendo.

No girar do mundo
Os ciclos prováveis
A mão do destino
O umbigo, a raiz e as asas batendo
Percorrendo

Hímen tacto
Coração impulsando
Corpo com poros
Pele sem tato; querendo
Percorrendo

Percorrendo vida
Sem o perceber
Dessa pressa contínua
Ou pra onde esse pé, correndo
Pensa não ter tempo
De chegar.

e corre.

Ádila Ágatha de Carvalho (outubro de 2006)

* e 'não pise na grama' lá serve pra quem não tem os pés no chão?

Lá vai pé correndo. Lá vai, percorrendo.

Friday, August 14, 2009

Qualquer canto. Canto lugar. Canto canção...




Alguns são espectadores,
Engolem a olhos-nús.
Em seu momento de coadjuvante.
Conseguem ser a espera.
Que é áspera e desespera.

E o desaguar de afetos
Ao paladar não mais docente.
Ficou apenas como farol
Iluminando uma determinada nascente.

Uma sensação de chuva.
Quando o amor precisava de sol.
Parece que era bemol,
E não completou o acorde.

- E se demorar?
- E se o amor não me reconhecer como algo de se amar?

Eu ei de cantar,
Nem que seja o encanto dos outros.
Pra mode o amor também me ouvir.
E me fazer de ancoradouro.

Quando de fato porto,
Ei de ser apenas para o barco-amor.
Emprumado leste ou pr'onde eu migrar.
Eu vou voar com ele e se pensar noutro rumo.
Não ei de pestanejar.

- Voar!

Vô ar, terra e até mar,
Se for de interesse do amor.
Até a galope iremos,
Só, e não apenas, amar.

Amar!

Neste ato eu ei de me pronunciar errante.
Mesmo que o meu papel não seja assim tão grande;
Nem dublê, nem figurante.
Sequer o tal do coadjuvante.
Quando for ato de amor,
Serei, nesta minha vida,
Protagonista.


Como nunca antes.

Ádila Ágatha de Carvalho. ( Setembro de 2009)

... Na espreita da minha cena.

... Na espreita da minha cena.




Minha alegria às vezes usa o seu sapato triste
Calça a primeira coisa que encontra
Percebe que lhe aperta o pé.
Mas mesmo assim anda.

Nessas andanças de perceber,
Parece deixar pegadas fundas,
Mas espera que o calçado não lhe incumba
Um sentimento mais que temporário.

Calçado triste.
Que mesmo cansado persiste
Em caber-me ao pé
Até me leva pr’algum lugar
Mas não me eleva nem de longe,
Aonde a felicidade consegue chegar.



Ádila Ágatha de Carvalho (Outubro de 2009)

Quando faço amor comigo



Amor comigo I

Quando faço amor comigo,
Não consigo, sequer, não me trair.
Não consegue-se abstrair
Que a digital não me fecunda

Não pretendo ser mãe da minha identidade
Tenho adjetivos quando faço amor comigo,
Envaideço pensamentos,
Mas o que se passa adentro,
É meu corpo estuprando minha alma.

Faço amor comigo
Quando exalo libido,
Quando dou ouvidos,
A morte do silêncio da necessidade.
Gritos de libidinagem.

Quando faço amor comigo,
Não é amor na verdade.
São más, turvas-ações.


Ádila Ágatha de Carvalho ( setembro de 2009)

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Amor comigo II




Todas as vezes que faço amor comigo,
Sorrio...
Depois envergonho-me.
Mas sempre me amo.
Mesmo quando me odeio

Todas as vezes que faço amor comigo,
Mato a vontade
Mato a saudade.
Mato.
Mas não mato o amor.
O amor é suicida.
O amor é assassino.
E quando faço amor comigo,
Sou assassina e vítima.

E eis que me encontro,
Devoro-me,
Gozo-me,
Depois me deixo,
Como se eu fosse uma qualquer,
Sem importância.
Dou adeus,
Mas sempre volto na ânsia,
De amar-me outra vez,

Quando faço amor comigo,
Não sei quem sou,
Mas sei, quase sempre, quem gostaria de ser.
Otr’alguém,
Mesmo Zé ninguém.
Que o ‘eu’ é tonante,
E retumba solidão.
Que é só a mão
E a imaginação



[ Ádila Ágatha de Carvalho (Maio de 2006)




Monday, July 13, 2009

Que olhos esses. E Quem Olhar-me deles?


Olhos  II


Ofereço meus olhos em um prato,
O meu olhar é o meu legado,
Dentre as deficiências mais eminentes
É o único que dou de bom grado.

É a minha vara de pescar,
A isca é a base do olhar,
Posso sair sem o peixe,
Mas nunca sem o mar.

Ah, mar!

Eu tenho receio dos meus olhos fora de mim,
Mas esse temor não é suficiente para me impedir.
E sem nenhum apego eu o deixo seguir adiante

- Vai, pescar semblantes!

O olhar ultrapassa até a pálpebra
O imaginar perpetua a falta
Quando o angulo de visão acaba
Vira um sonho e o olho vê utopias.
Mas nunca,
Nunca deixa de olhar sem uma tal euforia.

Assim eu o ofereço,
Numa bandeja,
enquanto visto apenas corpo.
Podem ser apenas íris,
Mas tem aquele arco que leva ao tesouro.

Ofereço-te meus olhos,
Não far-me-á falta,
Não findo meu enxergar sem eles.
Como um sabiá que não para de bater as asas
Nesse vestido de nu,
Tem estampas de poros,
E eles
Ah! Eles enxergam mais que meus olhos.

- Toma! Meu olhar é teu.



Ádila Ágatha de Carvalho (Setembro de 2009 )

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Olhos I

Que olhos esses,

Poros sem tato,
Que mesmo contato
Não comunica.

Que olhos esses
Pulso sem impulso
Pulsando parado
Que vai pro coração
Mostrar quem?

Que olhos esses
Que pare lágrimas
Sem apego
Da boca, beber o aperto.
E girar em círculos
Como se fosse ciclo.

Que olhos esses
Eu sei que são meus
Afirmação com ponto de interrogação
Na íris
Do verso
Que , ora, é o inverso de mim

Que olhos esses
E quem olhar-me deles.
Pretos
Que nem falta
Que nem breu

Que olhos esses
E quem olhar-me deles?
Será que enxerga tamanha
Será que enxerga
Que olhos esses
Que sei que são meus
Janelas
E haja nela
Vontade de pular.

E quem olhar-me deles
Meu Deus?



Ádila Ágatha de Carvalho (Agosto de 2006 )

Em dias de escuridão acesa




Quem apaga a luz do peito
Mesmo que por proteção
Acaba por acender a tristeza
Uma chama fria ao coração.

Ao peito escuridão é deserto
E é preciso uma fagulha de contentamento
Que em algum lugar da imensidão
Algo nunca se apaga por completo

Quem apaga a luz do peito
Ou por vontade, ou desjeito...
Não anula uma paixão.
Ainda se pode perceber
Pois o coração tem lamparina,
Que mesmo na falta da retina
Enxerga por sentimento.

E mesmo quando ninguém apaga
Porque na vida a luz às vezes falta,
Que não falte o bom senso
De perceber a própria chama.

Que viver também põe em prova
O saber acender a luz própria



Ádila Ágatha de Carvalho (Agosto de 2006)


Pararia-nas para ria-nas do seu ‘sem tempo’



Pessoas, aqui agora, rua movimentada. Vontade de ter-las todas. Conversar, cutucar, nada de mais dizer. Possuir os quandos desses instantes, tal como olhos, agora lendo. Ou matar, também, a presa. Que delas, os pés correndo sem dar atenção. Povo com onde. Que vai pra ou pro, ao invés de lugar nenhum. Bom, que motivos, acho, têm todas elas. Mas se poder maior, como controle remoto, tivesse. Pararia-nas para ria-nas do seu ‘sem tempo’.


Coisa que agora, motivo nenhum tem pra... Motivo quê? Nem pra, nem pre, nem pri... Agora, toda hora acaba. E elas, de fato, assassinas todas, matando o tempo com a falta de tempo pra dar tempo ‘um’as’outras’. Mas se poder maior, como controle remoto, tivesse. Pararia-nas para ria-nas não só apenas. Mas pra vê-las. Porque vejo só a morte do tempo que elas matam passando, tão rapidamente...

Pararia.
Todo o mundo para ria.
Pelo menos agora, um tempo pro riso.


Ádila Ágatha de carvalho (20/08/2006 10:39)

Encontrar o jardim, dentro da árvore...




As portas abriram-se sem que ela pudesse perceber,
 no seu coração, entrou um furacão.
Revirou tudo,
Parecia coisa d’outro mundo...
Este ficou por um tempo
Tempo suficiente pra fazer um grande estrago
Haviam pedaços por tados os lados.
Quem ia colar todos aqueles cacos?
E algum sempre se perde,
Algum pedaço sempre se vai com o furacão...


Mesmo aos reajuntes,
Não havia de ficar completa,
Havia de ficar nítido que...
Como um jarro que se quebra,
E por um motivo ou outro agente cola e acha que,
Inda serve...
Que ninguém percebe...
No fundo agente nunca esquece que aquele jarro quebrou.
Agente nunca esquece.

A casa coração ficou...
Nem sei. Apenas ficou.
Restara apenas um tom de algo,
Alguma coisa que é viva,
Alguma coisa que, parece morta,
Mas há de ter seiva adentro.
Mas descuidou-se...
Desolou-se...
As paredes começaram a mofar,
Ela começou a desfrutar da companhia da solidão,
E da [incerta] certeza de que ímpares pendem a ter-se e só...

E vida,
Bom, a vida começou a ter dias de chuva,
E dias de sol sustenido,
Horas, minutos, segundos... sem sentido!
Veio o pó, sobre os imóveis,
Veio os ácaros,
As aranhas, as baratas...

A casa coração,
Depois do primeiro e único amor,
a primeira paixão,
Parecia que...
Como se o furacão houvesse transformado
Aquele quadro com imagens claras,
Em um abstrato tão abatinado,
Que parecia nem dizer nada...
Mas há sempre de ter entendimento,
No que não parece de entento,
Mas de sensações...

Havia perdido as rédeas,
Havia lembrado de pensar em tudo,
Na carência, no tédio, no desamor, nas deslembranças,
Menos de regar as flores que todo dia regava,
Sem se dar conta que a raiz está logo ali,
Sedenta...

Parecia tarde demais...
De fato havia fechado a porta
Passado o cadeado...
Estava trancafiado e...
E a chave jogou pra fora...
A chave saiu com o choro,
A chave partiu no ultimo suspiro,
A chave desapareceu
Assim como os tons coloridos da áurea,
A chave,
Bom... não havia de ter mais chave...

Mas ela esqueceu das janelas,
Sorte que não as trancou,
Se não...

Se não,
Não havia de ter entrado o ladrão,
O tal que roubou o coração...
Roubou...
E tratou de admirar as paredes mofadas,
Tratou de ver que,
Que sem aquele muco,
Aquela crosta em volta,
Havia algo de fantástico,
Assim disse...

E ela duvidou, com aquela cara
De quem havia ensurdecido o coração,
Pra qualquer balada...
Seja balada de tiro. Com pólvora.
Seja balada canção, com um respectivo repetitivo refrão,
Seja o que for. Ou qual.

Mas blá,
Ele pulou a janela, e lá ficou
Encontrou um jardim. Podou, cuidou...
Nem tinham mais flores...
Mas fez florescer nos espinhos,
Do cacto é ela...
E em noites de lua,
Faz fogueira e canta pra aquecer a alma...
E consegue...

Consegue até fazer-la sentir o jardim...
O tal jardim que ela cultiva faz tempo,
Mas que simplesmente não conseguia estar,
Por enxergar um vidro dividindo as partes...
Um vidro que só existia na sua imaginação...

Ela conseguiu chegar ao jardim.
E isso a fez sentir-se viva,
E transformar o passado em uma linda lembrança que...
Que nunca há de ser esquecida, é fato...
Mas há de ser das erratas,
A pedra do seu caminho.
Mas há de ser apenas pedra,
E não um muro,
Não uma parede...


Ádila Ágatha de Carvalho (26/05/2006 08:34) --- um amor que dura hoje como grande amizade.

Ímpar feita





Eu absorvo mais do que transpareço.
Eu observo mais do que falo.
Quase não falo com voz.
Quase não falo com som.
Sou o nego do leite pelo avesso.

Sou ímpar
Mas volta e meia estou querendo ser par.
Só que par eu não dou pra ser
Par-te e fico sempre um caco
Sentimentos errôneos
Sou de amores platônicos

Eu penso mais do que falo.
Eu sinto mais do que falo.
Eu ouço mais do que falo.
Eu falo pelos cotovelos,
Mas penso, sinto, ouço pelo corpo inteiro.

Ei de falar com o punho...
E com.punho muito
Eu faço tempestades em copo d’água,
Depois bebo.
Costumo chover. Trovejar.
Mas quase sempre sou só.
Quase nunca sol.
Escuto bem no escuro.
Enxergo bem no silêncio.
É perceber...
Perceber, Decodificar e assimilar.
Sobre mim,
Esqueci,
De tanto lembrar.

Ádila Ágatha de Carvalho (abril de 2005)

Na pupila dilatada do verde




Nas veias da folha.
Nas córneas da seiva.
Nas cores da fauna.
No aflorar do chão.

No pulmão do musgo.
Na raiz da percepção.
Na vasta presença da pureza.
Como pequenas almas que adentram o pulmão.

Esse reinado de apenas rainhas e reis...
Reispirar...
Respirar...

Na pupila dilatada do verde
Na retina dos sentidos
Na íris da vida...


Ádila Ágatha de Carvalho

Saturday, July 11, 2009

Minha retina é um útero fecundo




Minha retina é um útero fecundo
Estou sempre em gestações

Pupilas dilatadas, é meu olhar fazendo amor
Farol da libido pelos olhos.
Enquanto encaro, apresento o rebento
Do olhar que refletiu aqui dentro.

Quando vou apresentar-lhe teu filho!?
Minha retina é um útero fecundo
Eu estou lhe vendo,
Pelos pensamentos do seu ler.

Estou sempre em gestações
Só não sei outonos,
Só não sei invernos
Primaveras ou verões


Ádila Agatha de Carvalho


M’estéril


O criador,
Criou-me a dor,
Sem sequer mistério.
Fez-me estéril.


Ádila Ágatha de Carvalho (...)


Clarisce

Quando eu te olhar nos olhos,
E medir tua mão na minha mão,
De tanto amor nos meus olhos
Vou lacrimejar todo esse mar,

Que amar você é essa chuva
Do céu se emocionar quando te ver nascer.

Ter o leite que lhe alimenta,
Imensa e tão profunda fonte baldia,
Que em meu seio irradia,
Aquilo que te faz claridade.

Claridade, claritude, clareficiência...
Cloreto de felicidade.
Torne-se parto
Torne-se claro.
Clarie-se.



Ádila Ágatha de Carvalho

Guia de relampejo



A tentativa de justa medida,

Travestida de desequilíbrio
Fatídico
É esse meu guia de relampejo

Por isso ora não vejo
Mas fico procurando no peito
Aquele elétron no átomo
Que vem de você pra mim

Explico pra loucura a propriedade que lhe cabe
Mas ela sempre invade
As entrelinhas de mim
É tanto labirinto que sequer sabe-se direito
É esse meu guia de relampejo

Desconfiança é assim.
Corre com um barbante nos calcanhares
Vai longe,
Mas não suficiente pra desapegar-se.

Quer mergulhar de cabeça
Mas põe os olhos no couro cabeludo.
Diz não ter sede,
Bebendo a água do mundo

Matuto por tempo muito,
Mas conclusão nenhuma eu vejo.
Pior que lá no fundo
É só meu guia de relampejo

Ádila Ágatha de Carvalho






Desatada, diz atada a fala, em silêncio




Algumas vezes preciso dizer calada,
Deixar nas entrelinhas da pálpebra
Deixar morrer a fala.
Na íris delatora, dilatada.

Algumas vezes preciso dizer calada,
Preciso dizer,
Que não vou dizer nada.
Que no céu da minha boca
Há nuvens que nem sempre chovem,
Palavras soltas e nuas...
Nem mesmo um raiar,
Com um sol nascendo de frases e versos
Contorcendo,
Tecendo e só...

Que as vezes a minha fala não se cala.
Ela apenas fala
Em silêncio...



Ádila Ágatha de Carvalho ( novembro de 2006)



Click no link ao lado, ela mesma, só que em video e som  http://wagnerpyter.multiply.com/video/item/4

Um poema vídeo, que me fizeram de presente