Thursday, April 27, 2017

Amor Milenar



Nessa madrugada em que o frio se aproxima
e que acordei de um sonho, embora ainda me sinta nele
Uma xícara de chá
Jogou mais charme
Que uma taça de vinho
e me seduziu.
Me deixei seduzir.

Falando no sonho,
Triste é
quando acontece aquele encontro
E se acorda...
Instante indesejado.
Havia varanda
Havia saudade
Havia diálogo.
(e era Bahia.)

Chego até a sorrir
Mas também sinto aflição
Vem e sopra a poeira da lembrança
e o amor fica visível
No meu coração.

Pego a embarcação do afeto
E navego livre
No rio da recordação.




Friday, February 24, 2017

Me diz ame. Me desarma.




Quem foi que disse
que estavas pecando
em deixar o calor
tomar conta dos panos?

Quem foi que moldou essa culpa?
Que disse que é tudo ternura...
Tem hora que é brasa
Tem hora que é brutal
Tem hora que arrasa.

Porém,
E aí eu escuto bem latente
Tem hora que é frágil
Que é tenso
E que é mistério pra gente.

E aí,
O sentimento fica evidente,
A alma sente
E a vida decora,
um sorriso n'a gente.

Caminhando,
totalmente aprendiz.
Enxergando, não tão claramente
O que o florescer
nos diz:
ame!
nos desarme.
Se apaixone.


Thursday, February 23, 2017

metAMORfosse





Se amor fosse meta
Se meta amor fosse
Se fosse foice,
me contaria
talvez

Foi-se ou fincou-se?
Me questiono
Mas sigo sentindo
Que de certa forma
Esse amor
me serve de abrigo.

Friday, November 04, 2016

Elucubração




Lá vinha o tempo,
Adentrando o texto
Resgatando o passado.
Conforme o desejo do verbo
Eu reacendo ou apago?

Numa madrugada de prosa
Que preencherá
E que se perderá, enfim
Será que na hora certa
irá depor
à favor de mim?

O silêncio é um rascunho
Que talvez nem seja relido
Deixo ressurgir entre as lembranças
Seu modo precioso
e preciso
de repente...
Queimando feito chama livre
Se expandindo com o vento.

(... um grande trago e longa pausa)

Assim como veio
A lembrança se foi
Apressada.
Fez-me guerra
e desistiu da batalha.

Tudo fica oco.
Um vazio sem lamentação
Oco
Que algumas vezes é flauta
Que soa linda canção
E outra um murmúrio horrendo
que doe ao coração.

Novamente o tempo,
Adentrando o texto
Resgatando o passado.
Conforme o desejo do verbo
Reacendo
ou apago?

Soprei!

(... havia nesta cadeira uma mensagem que dizia: Mariana, te amo. Fiquei, então, pensando sobre o sentimento que criou essa ação, de declarar-se. )





Friday, August 21, 2015

Doses depois.





Depois de algumas horas pensando.
Depois de ouvir a tua voz,
cantando.
Depois de achar a vírgula,
do lado certo da frase,
quaSE
outra fase.

Virei a outra face.
Dei um tempo.
Desejando que você fosse feliz...
virei o lado B do CD.
Sintonizei AM.

Perdi onde estava.

Parei de procurar.
Aonde e onde. (a regra que não entendo/lembro)
Nadei nua.
Resolvi.
O que é o que é?

... algumas telhas já sumiram as letras das teclas.
E daí, José;
- disse alguém
e nem sei onde.

Tonta!

e tal...
Ele disse: - Você não devia fazer isso... (sóbrio)
Eu já pra lá de Bagdá (sem entender muito de Geografia) disse.
- Vírgula!

Ela me deu um beijo.
A história já tinha acabado e não tinha segundo livro.
Segundo tempo.
O que mesmo?

Conversas nas cadeiras dos bares.

Eu que perdi um dos Capítulos.
Não fazia sentido e...
já disse tonta?
Blá.
O garçom trouxe outra.
pensei;
Deus abençoe aquele sorriso faceiro
da menina
que canta
nas escadas de uma noite
tão passageira
quanto as outras.

Saturday, August 08, 2015

Mar e amor em um mesmo estrofe.









O que ele espera afinal?
Seu nome na minha assinatura?
Seus valores na minha rotina?
A presença contínua nas minhas lembranças?
O que ele quer? 

Um dia esbarrei comigo
Estava apressada.
Dei um tempo de pensar no que ele queria.
Porque o amor tem outras facetas
Sou menina mesmo
Pra tudo isso.

Ei de aprender
a revisar, a rever, a filtrar...
A amar de maneira plena
e nessa coisa toda
mergulhar
no mar
serena.

Monday, February 02, 2015

É do ar, do mar, da terra.





Quero então partir
feito folha que se desprega e voa
Sair a toa
Sorrir sossegada

Reaprender alguma coisa.

A excitação de conhecer
se surpreender,
achar inusitado;
Tua palavra passageira
na lembrança de um dia
que tem pó
tempo eira.

Algumas sensações na vida parecem ferir
e não lapidar.
Minha paixão por você diluiu
e algo de mim se foi
naquilo que era nós dois.

Busco na angústia de ter perdido
O reflexo de ter vencido
Pois poderia nunca ter te encontrado
E gozado sozinha noites de poesia e tabaco.

Me amando sozinha
Com a lembrança do que éramos
Deixei o tempo parado na lembrança
vou deixar acontecer, é do ar.

Nesse trecho em que me acho
A folha cai no riacho
Corre tranquila
e escorre lá embaixo.
)

Monday, November 24, 2014

Com-versar-só e o verbo.



Enquanto você dormia,
o meu amor latente
carecia de atenção
sorte ser na vida, sonhadora
e nos imaginar, mesmo na segunda,
arrumando uma mochila
e saindo por aí;
prosa e ar
com versar.

Na realidade, muitas vezes acho estranho
agora, que de fato a gente se juntou uma coisa par
Sua poesia descansar
Enquanto eu rogo pro dia
algo criativo de nós dois.

Penso que se a raiva que também sinto
Fosse, pelo menos,
algo sempre suportável,
eu não quebraria as suas coisas
com martelo
e com sorrisos.

Preciso segurar minha onda
Precisar de ajuda
é algo relativo
tem gente que sonha sozinho...

Vou mudar você de personagem.


* (imagem: desenho que fiz na parede da antiga casa 2012)


Como adquirir
Tal tranquilidade
e não sofrer pelo grão
mergulhada em agonia...

Algumas vezes
O sabor que eu já provei
Dessa solidão acompanhada
Traz vontade absurda
Faz vontade calada.

Um querer que o vento leve distante
As promessas que nem vou cumprir
De querer que feito estrela cadente
Um romance na assadeira quente
Se apresente à  mente confusa.

Voando feito fantasia
coisa sem matéria
material para escrita
personagem novo.

Pra não estragar,
sempre partindo antes
dessa vez a âncora não permite
que esse barco vá muito longe.

Uma carta em sua porta
Uma abordagem crua
O personagem é uma frase
sem passado, sem vestígios
e nua.





Tuesday, June 10, 2014

Madrugada





Pensamento voa.
O calor me ronda.
O coração  acelera
Quando sopra
inspiração genuína.
sou escravo dela.

O sentimento pega
no galope vou indo
a escrita se anima.
e eu sigo sorrindo.
O receio é um medo
que excita o instinto.

Ao olhar que encontro
Em um passeio solitário
Dou-lhe um abraço apertado
desse nosso encontro
escondido.
sentido
e zelado.


À paixão que se despede.







Ao ponto que cheguei
É inevitável que na bagagem
tenha um tanto de tristeza.
Tem coisa que a vida planta
pro broto ficar mais forte.
pro caula não quebrar ao vento.

Essa coisa aqui dentro
de querer amar mais.
Ora viver em despedida
de um desejo que não se conhece mais.
Uma folha passeia no rio
pro rumo que tiver que ser...


Nesse frio, traz tranquilidade
sentir o sol aquecer.
Depois de confundir o ponto com vírgula
e insistir,
pra desfazer o nó
ou pra achar a rima.
Deixei fluir.

Coisa que talvez seja sina.
O amor, eu sei, mesmo nas horas que não equaliza
Faz crescer, ensina.
Fosse rima feria
Foice embora afiada.


Me deixei levar pela ilusão
da chave pro meu próprio íntimo.
A embarcação foi-se embora,
me atirei no mar.
Mas pra nadar à liberdade
Dela um dia ter estado lá.

06:25
(imagem de autor desconhecido)

Saturday, May 31, 2014

As plantas do terraço.


Quanto mais conhecimento
mais se descobre
parte da ignorância.
Horas me fecho
Com medo de errar
"E quem não erra, afinal."
Precisei perguntar.

Uma rosa se abriu
Pétala, cor, espinho...
E tudo fica pequeninho
diante as dádivas da vida.

Essa coisa arredia
algumas vezes até bruta
na labuta, lapida.
Na coisa nua
é alma
e está viva.

Tento não temer
chamar o bom na calma.
Quando em mim há ira
irradia na polaridade outra coisa
que me lava
e lavra.

Monday, January 27, 2014

Ventanejando





Ao lavar a roupa no terraço, observo os pássaros que passam ligeiros, parecem não querer perder o horário. Penso uma poesia. No momento, ao invés do papel, tenho em mãos uma roupa suja, manchada na parte superior de molho de tomate. Esfrego como quem rabisca, porém a poesia é tão visceral, deseja tanto ganhar um corpo que, acabo por versar em voz alta. Só para não deixá-la perdida no pensamento. Penso nela voando com o vento através dos tempos e sendo escrita, quem sabe um dia, por outrem, ou por mim mesma, abraçando a lembrança desse agora. 

Ádila Ágatha de Carvalho.
(Imagem de autor desconhecido)




Saturday, December 21, 2013

... brisa do sábado.




Oscilo e vacilo
Nessa busca discreta
O amor é voraz
Voz do gemido
Beirada de cais

Sinto-me entregue
Pássaro que voa
Sorriso desconhecido em reflexo
Sensação imaculada,
Coisa que irradia, emana
fecha os olhos
se cala.

Ádila de Carvalho – 13:18.

Tuesday, September 24, 2013

Voz e fundo.


Pensar em você
Hora é perceber
que o mundo ganha sentido e graça
que pode apenas a presença em lembrança
nutrir as flores desta primavera.

Algumas vezes é ter raiva
pensar que liberdade mesmo
seria poder seguir sem se preocupar
com o que cada passo da própria vida particular
possa causar
a tua vida também singular.


É ainda assim
escolher seguir
lembrar, esquecer
Pensar em você horas pode apenas ser
escovar os dentes e reparar
no reflexo sorrindo
à imaginação que flui.

Pensar em você
É achar que o universo conspira
a rádio toca uma música
um sorriso vai a toa
vai voando com o vento,
vai
é recíproco
e recito
amor
em pensamento.


24/09/2013

Friday, June 07, 2013

Esse regozijo
invisível
da vida de gozo,
de pensar positivo,
de sentir o fluxo.

Esse ... (?)
barulho
Que o termo tenta
designar
me causa castra
coisa estranha:
Não saber
falar;
amor
eu te amo
ainda.
O freio,
a breca,
o imã
a rima.



03:50, junho 6, 2013.

Friday, June 29, 2012

Regressar




O silencio é minha língua
Há dias que
quase esqueço meu berço
Sinto medo

Já não quero mais
a rima
de uma palabra
que não possa me abrigar

Desejo,
Dentro dessa perfeição
Achar um motivo indigesto
Para talvez chorar.




Friday, October 14, 2011

Ventos D'oeste



O Nascimento de Vênus; Sandro Botticelli, 1483, têmpera sobre tela,172.5 cm ×278.5 cm.  -    Galleria degli Uffizi, Florença


 14 de outubro de 2011  - 18h45m

Quando penso em falar
O que não diria em letra
Debruça-se nos dedos um mar
E nele cantam sereias

Fico arredia
Ecoar, para quê?, um canto
Mas me vejo além dos porquês
E começo nadando.

Depois de um tempo
De maresia, ressaca
Me vejo em nova braçada
Um mar de pedras encontro.

Fico em mim,
tacanho
Sabendo esse peito
Jorrando

De pensar;
mesmo longe,  nos vemos.
Descobrindo amor e beleza
E um deleite por Vênus.

Thursday, October 06, 2011

Flor con'versa, comigo


15h34m, 5 de outrubro de 2011


Algumas vezes não consigo sorrir.
(... não posso dizer o mesmo sobre chorar)
Mas dentro de mim é cachoeira de muitas quedas
D’uma emoção linda que me dá.

Ádila Ágatha de Carvalho - a de lá

Friday, August 05, 2011

Poesia Carne.





... agosto de 2011
O sentimento que traduz
Não é o mesmo compondo
Ou masturb’a lembrança
Ou vasculha sinônimos

Traduzir em verso
É quase compartilhar o gosto
Compor é coisa prática
Lençol sujo de gozo

Eu não vou traduzir
Muito menos quero compor
Quero apenas sentir
A arte do novo amor

Rima, pra quê rima?
Rasgo tudo. Termine como queira
O calor do nosso amor
Sem trilhos sem vírgula Centelha...

Reta essência
Reticente que nem cabe vergonha
A vida é uma cama
Que só cabe nós dois

Diante um muro.
Sem ninguém do outro lado.
O próprio amor petrificado.
Como não imaginava.

Rijo e doce
Enquanto ama é poeta
Só o corpo com-versa
Pois em mim faz-se rima

                                      poesia carne