Era infância e eu precisava apenas resolver uma equação. A resposta estava de vermelho, nas últimas páginas do livro. Era sobre o caminho até a resposta, a minha tarefa. Parecia muito difícil. Acho que se a resposta não estivesse disponível, talvez o caminho não fosse tão complexo.
Existe um estado de morte que vez ou outra eu acesso. Tenho desconfiança que tem tons de tédio e uma chuva ácida de notícias cruéis sobre o mundo e os sujeitos com poder. Mas, acabo descendo lá e, pelo menos enquanto estou lá, parece que é a totalidade.
Queria usar a palavra totalidade com propriedade. Ir lá e confirmar se essa palavra pode mesmo vestir esse pensamento. Que estranho esse modo de pensar que se configura. Tenho buscado sentir respeito e entender as motivações. Agora, no campo acadêmico, nesse território onde fazer ciência é tal e tal coisa... me sinto como quem não sabe trocar uma roda e parece estar propondo fazer isso com um carro em movimento.
Acredito que o estado mais maduro do pesquisador é ir tomando dimensão das ignorâncias e da vastidão que é o campo do saber dentro e fora dos "espaços do saber". O estado mais imaturo talvez seja o da certeza. Que é aquela rua sem saída; tem as suas casas; seu chão de pedrinha; árvore bonitinha; lixo esperando retirar e... acaba alí.
Eu queria ter mais ousadia, principalmente quando a vista fica turva e parece que a tristeza foi eleita de forma democrática e fará um ótimo mandato. Tudo será verdadeiramente triste e encontraremos justificativas reais, bem embasadas, com riqueza de detalhes... A tristeza me confunde. As vezes parece uma vereadora, mandando apenas aqui, onde a lente deu zoom numa coisiquinha de nada. Mas, há momentos que creio ter sido ela a causadora de uma grande explosão: Pa pum pow! Culpada!
Quando a equação matemática acaba... é uma sensação interessante. Aprender no desafio e ter o erro como algo significativo é bem complexo. Quero pegar leve comigo mas há dias que é muito difícil. Essa visão privilegiada e com sombras criativas, que carregam objetos estranhos que me atrapalham de identificar os contornos... poxa!
Tenho pensado muito no amor. Queria mesmo que fossemos arrebatados por uma onda amorosa, dessas que nos fazem olhar para o cimento com olhar consternado, a pólvora nos dedos quase corroendo a mão um: NÃO!
Um basta. Apenas o daqui pra frente e muito amor. Amor na prática: respeito, cuidado, responsabilidade, comprometimento... com a vida (humana e não humana).
Lembrei de Boi, o cão da cara preta. Surgiu, esteve comigo por um tempo, depois seguiu, como tudo que se faz mistérios, sabe-se lá pra onde. Parece que foi ontem, eu e ele na Montanha Sagrada, refletindo os agoras.

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